E saiu de casa, orgulhoso por ter recebido da mãe a tarefa de vender suas rifas. Afinal, já tinha oito anos, e era quase um adulto. Com o bloquinho na mão, ele batia em porta em porta simpaticamente oferecendo os bilhetes para a vizinhança. Depois de umas dez casas percorridas, ele chegou à casa dos Almeida, grandes amigos de seus pais. Deu três pancadinhas no batente e esperou.
– Bom dia, Frederico – disse a Senhora Almeida, abrindo a porta – o que traz você aqui?
– Vim vender as rifas da minha mãe.
– Ora, mas que menino exemplar! Entre, vamos pegar o dinheiro.
O pequeno menino hesitou. Os Almeida eram realmente amigos de deus pais, e ele achava muito injusto que eles tivessem de pagar como os outros.
– O que foi, Frederico?
– Acho que a Senhora não precisa pagar.
– Ora, de maneira alguma! Quanto é? Vou querer cinco.
– Cada uma é cinco reais, mas tenho certeza que a Senhora não precisa pagar.
– Mas o dinheiro iria fazer falta para a sua mãe.
– Não vai não, pode deixar.
– Ora, menino...
E ele destacou os cinco bilhetes e deu contente para a Senhora.
– Mas que lindo! Vou ligar para a sua mãe para agradecer mais tarde. Muito obrigado Frederico, você é um amor!
Com um sorriso, ele deixou a casa e partiu para a próxima. Um pouco antes de bater, porém, parou para pensar. Talvez a Senhora Almeida tivesse mesmo razão, e seus pais precisassem daquele dinheiro. Ele havia dado à Senhora cinco bilhetes, de cinco reais cada um. Isso era cinco vezes cinco... quanta coisa! Ele devia ter pensado direito. Não sabia fazer contas de multplicação ainda, mas sabia que a quatia deveria ser muito grande. Algo como... mil reais. Mil reais! Isso faria muita falta para a sua mãe. Só havia um jeito de contornar as coisas.
Toc, toc.
– O que foi, menino? – atendeu a porta um homem com o rosto coberto de creme de barbear.
– Você quer comprar uma rifa?
– Quanto?
– Mil reais.
– O QUÊ?
– Mil reais.
– Tá maluco garoto? Qual o prêmio disso?
– Um DVD.
Fechou-se a porta com um estrondo.
Precisava de uma estratégia melhor.
Toc toc.
– Você de novo, garoto?
– Eu me confundi. É só cem reais.
– Menino – disse ele, puxando os bilhetes da mão de Frederico e lendo-os – aqui diz que o preço é cinco reais.
– Ah, é mesmo – droga! – quer comprar?
– Não, valeu, já tenho um DVD.
Enquanto a porta fechava com novo estrondo, Frederico deixou os ombros caírem. As rifas não iriam funcionar.
Próxima casa.
Toc toc.
– Oi.
– Oi. Quer ajudar uma instituição de caridade? – ouvira pessoas falando isso na porta de sua casa uma vez, e sua mãe dera-lhes algum dinheiro.
– Qual?
– Ah... a instituição... da caridade... do dinheiro.
– Como?
– É. O senhor quer ajudar?
– Quanto você quer?
– Qualquer coisa... uns mil reais...
O estrondo das portas estava começando a ecoar em seus ouvidos.
Próxima casa.
Toc toc.
– Oi, menino.
– Oi senhora. Preciso de dinheiro para ajudar o meu tio.
– O seu tio? O que ele tem?
– Uma gripe.
– Precisa de dinheiro para tratar uma gripe?
– É que é uma gripe bem forte.
– Que tipo de gripe?
– Ah, estão chamando de... Ani... o... porose.
– Anioporose?
– É uma doença que deixa o corpo bem quente.
– Nunca ouvi falar.
– Pois é, mas agora ele está com uma febre de duzentos graus e...
– QUANTO?
– Duzentos... graus?
– Mas é impossível, essa temperatura é muito quente!
– Pois é... a gente... colocou ele na geladeira.
– Pai do céu, que desastre! Vamos lá, precisamos colocar ele em condições adequadas e...
– NÃO, não tem como. Ele está... muito agressivo...
– Posso ligar para a sua mãe?
– Infelizmente ele... ele destruiu nosso telefone, e depois...
HASUHASUHASUASHUASHUASHAS ri muito!
ResponderExcluirPERFEITO
ResponderExcluirUma coisa leva a outra.
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